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Casas em Portugal
Um apartamento de muitas camadas
Memórias e coleções expressam a personalidade dos moradores nesse lar em Lisboa
“O coração ainda bate”
este é o nome do livro e também do podcast semanal de
Inês Meneses
– radialista, autora e comunicadora. Ela mora neste apartamento em Lisboa há 12 anos e hoje em dia o divide com seu marido, Tozé Brito – compositor, intérprete e atual vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Autores.
Com essa breve apresentação, fica fácil imaginar que o lar diz bastante sobre o casal de portugueses e seus ofícios. A resposta está correta, mas passa longe de um reflexo simplista, como explica Inês: “Somos todos muitas coisas, muitas camadas… e a casa é uma mistura das nossas diversas facetas”. De fato, indivíduos, carregando suas histórias únicas, não podem ser resumidos por profissões e outras características percebidas à primeira vista. São infinitos detalhes se transformando constantemente, fantasias trazidas da infância e subjetividades difíceis de traduzir em palavras – e como é bom viver e respeitar esses mistérios!
O imóvel está localizado em um bairro cheio de árvores e pequenos jardins, e a moradora comenta que andar livremente pelos arredores da cidade traz lembranças da aldeia onde cresceu, no interior. Alguns objetos presentes na casa também evocam sentimentos de nostalgia, como a guitarra acústica construída em 1891, relíquia vinda do bisavô de Tozé.
As paredes do apartamento foram cobertas com quadros de diferentes tipos e tamanhos, criando praticamente uma segunda pele! Os tons de amarelo sobressaem e trazem bastante aconchego, juntamente com o piso e os móveis de madeira; por outro lado, as tonalidades cinzas dão um contraponto de sobriedade e, no caso do piso de cimento queimado da cozinha, um ar industrial. “Alteramos cores, misturamos coisas antigas com mais recentes, vestimos o apartamento de acordo com o que somos”, contam.
Entre os itens com boas recordações, um armário vermelho com mais de 100 anos, acomodado ao lado da janela da sala, era de um hospital e pôde ser resgatado e ressignificado. Já o gaveteiro canelado amarelo veio de um consultório de dentista de São Paulo. A radialista, na ocasião da compra, inclusive fez amizade com aqueles que o transportaram nessa rota transatlântica.
Máquinas de escrever, vitrola, rádio antigo, aparelho de som moderno e instrumentos musicais estão dispostos pelos ambientes como objetos funcionais ou simplesmente adornos que falam sobre a trajetória e o dia a dia dos moradores. No período de quarentena, por exemplo, os programas de rádio nos quais Inês trabalha, além do podcast mencionado no início da história, foram transmitidos direto do apartamento.
Enfeitando todos os cantos – muitas vezes em composições inusitadas – esculturas em louça, memorabilia e outros objetos dão a impressão que o lugar é habitado por diversas pessoas, além do casal e de uma das filhas que mora com eles.
A casa se revela convidativa a toda a família e amigos, geralmente recebidos com longos jantares. Se tiverem sorte, no cardápio estará incluso o famoso prato “arroz de Garoupa de Ipanema”, especialidade dos anfitriões.
Inês e Tozé acolhem expressões diversas neste apartamento. O segredo, eles confessam: “Sermos nós próprios, sem medo de arriscar!”.
Distanciados de modismos e regras de decoração, nada aqui é considerado exagero ou desnecessário: “Não receamos as somas, acrescentamos até fazer sentido – e sempre faz!”. O lar, desta maneira, consegue retratar seus moradores tais como são: múltiplos e em contínuo movimento.
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